quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fui lapidando as bordas de um poema
Pra na verdade querer dizer
Quanto eu sinto falta do meu antigo dilema
Abra o bico
Só não faça o meu ouvido
De pinico

terça-feira, 17 de abril de 2012

Já fui tanta gente
só pra ser alguém na vida
Todo dia lá em casa
Tem festa de despedida

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu amor
guardo para você
nos feriados
nos domingos
e nos dias que terminam com feira

quinta-feira, 29 de março de 2012

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios
Não gosto das palavras
fatigadas de informar
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões
Prezo a velocidade das tartarugas
mais que a dos mísseis
Tenho em mim esse atraso de nascença
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos
Tenho abundancia de ser feliz por isso
Meu quintal é maior do que o mundo
Sou apanhador de desperdícios:
Amo os restos com as boas moscas
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto
Porque eu não sou da informática:
Eu sou da invencionática
Só uso a palavra para compor os meus silêncios

terça-feira, 27 de março de 2012

Efêmera

Martela o tempo preu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto
E que nunca são efêmeras
E que estão despetaladas
Acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou
amor bom
amor sensato
que não fica
na sola do meu
sapato